Mostrando postagens com marcador Brasil em foco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil em foco. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Os equívocos da internação compulsória


 Por Maurício Fiore


Pouco tempo depois da prefeitura do Rio de Janeiro, agora é a vez do governo paulista adotar uma política de atenção aos dependentes de drogas baseada na internação compulsória.

Gato e rato: eis a estratégia usada pelos agentes da prefeitura. Fotos: Adriana Lorete

O “problema do crack” parece ter se tornado um dividendo eleitoral de peso e, assim, motivado as esferas federais, estaduais e municipais a se movimentar, infelizmente, em busca de soluções rápidas que ignoram evidências e afrontam direitos. As ações recentes são, na verdade, focalizadas em grupos específicos de pessoas que ocupam regiões degradadas das cidades e faz uso da forma fumada e barata de cocaína.
No caso de São Paulo, a chegada do crack se deu nos fins dos anos 1980. A partir de meados dos anos 1990, a região da Luz e adjacências, já degradada, foi progressivamente se tornando um espaço onde os consumidores se concentraram para encontrar crack e ter liberdade em usá-lo. O crack não inventou as populações marginalizadas que moram no Centro como forma de sobrevivência, mas foi acolhido por muitos deles, principalmente por aqueles em situação de rua. Além disso, muitos consumidores de crack vieram das periferias, onde se sentiam ameaçados. Agrupados, trafegando numa vigília nervosa, com um gestual agressivo, a existência dos “craqueiros” tornou-se socialmente insuportável porque não se esconde, porque é visível.

Só uma pequena parte dos consumidores de crack da cidade está no Centro, mas não nos enganemos sobre a intenção primeira de todas essas ações recentes, exemplificadas nos episódios de violência de janeiro de 2012: uma tática de limpeza desses espaços, travestida de “cuidado aos dependentes”, por meio da retirada higienista de populações indesejadas.
É evidente que o consumo do crack – em muitos casos associado à compulsividade e a sérios danos à saúde e à vida social e afetiva – tem que ser alvo de atenção do poder público. Mas políticas públicas não podem se pautar no alarmismo em torno da ideia de que há uma epidemia de crack. A incontestável disseminação dessa droga pelo país não evidencia a existência de uma epidemia, pois, não obstante suas graves consequências, a prevalência do consumo de crack é pequena se comparada a de outras substâncias psicoativas com alto potencial de dano, como o álcool, cuja escala epidêmica é consensual.
Fala-se também do crack como um forte combustível para a violência. De fato, assim como outras drogas ilegais, seu mercado clandestino está associado ao crime e, portanto, à violência. Mas a relação entre o crack e a violência não é automática, haja vista, por exemplo, que o número de homicídios em São Paulo caiu no período em que o consumo da droga se expandia. Se há uma associação sustentada pelos dados, é a maior predileção de populações vulneráveis e de bairros mais pobres pelo crack, seja no Brasil, nos demais países da América Latina ou nos EUA, onde ele surgiu.
A criação de um tribunal de “campanha”, no qual juízes e promotores, auxiliados por médicos, decidirão em algumas horas quem será tratado por meio do confinamento é um atentado contra a Lei 10.216/2001, marco da luta contra o trágico modelo de confinamento manicomial.
Ela estabeleceu limites para as internações contra a vontade, que só devem ser prescritas quando esgotadas todas as alternativas ou em casos de risco eminente de morte. Além disso, a Organização Mundial de Saúde pediu para que os países abandonassem a política de internações compulsórias, pois elas não só acarretam violações de direitos humanos, como são pouco eficazes para a maior parte dos casos.
Internar parece uma solução atraente porque nos remete a um contexto de proteção, mas, por estar sustentada no isolamento artificial dos indivíduos, não resolve o maior desafio para a continuidade do tratamento da dependência, que é a vida fora dos limites da clínica.
Quando ocorre à força, a chance de uma internação ter bons resultados cai ainda mais.
A dependência química não é “uma doença como apendicite, pneumonia”, como declarou recentemente o médico e governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. As evidências científicas a definem como um transtorno complexo, no qual a relação patológica do sujeito com a(s) substância(s) se instala a partir de uma confluência de fatores psíquicos, bioquímicos e sociais.
No caso da dependência de crack, a trajetória de muitos consumidores que circulam pelo Centro é marcada por privações e dificuldades de diversas ordens. Interferir nesse difícil contexto de vida, com a adoção de políticas de reinserção no mercado de trabalho, de reforço dos vínculos comunitários, de educação formal, de acesso aos cuidados básicos de higiene e saúde, entre outras ações – é parte fundamental de uma política que, de fato, esteja preocupada em cuidar dessas pessoas, não apenas tirá-las de nossas vistas.
Além disso, para defender a internação, é comum se desqualificar a rede pública de atenção à saúde mental, principalmente os Centros de Atenção Psicossociais (CAPs). Se há um grave problema da rede, é sua estrutura insuficiente, por vezes precária. Portanto, os resultados que seriam colhidos pelo investimento na qualificação da atenção psicossocial são ignorados pelo lobby da internação, sedento por recursos.
Enfim, cabe dizer que as dramáticas histórias de vida não são justificativas que desresponsabilizam os dependentes de crack; ao contrário, o caminho mais frutífero é reforçar sua capacidade de decisão, oferecendo cuidados e alternativas. A opção pelo confinamento forçado não resulta em proteção, mas no enfraquecimento do fator mais relevante para o tratamento da dependência: a vontade individual.



Maurício Fiore é antropólogo, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip)

domingo, 9 de setembro de 2012

União dos Palmares

Esse texto escrito pelo jornalista e palmarino Gilson Monteiro, retrata de forma crítica, consciente e clara a realidade da trajetória política da cidade de União dos Palmares, realidade esta que se perpetua ano após ano. Uma cidade que parou no tempo, tempo da escravidão, tempo do coronelismo... Uma cidade que em nada tem haver com o nome ao qual lhe dão "Terra da Liberdade".

Diante do meu pouco conhecimento sobre a trajetória política de União, mas diante da realidade que se observa atualmente nessa terra... Aqui vai uma excelente descrição de União dos Palmares.


Uma boa leitura, e uma pausa para à reflexão!



http://10inquietos.blogspot.com.br/2012/09/uniao-orgulho-e-vergonha-no-ultimo-meio.html

Fonte: Blog, http://10inquietos.blogspot.com.br/


 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Em tempos de eleição

Estamos em ano de eleições! A população se prepara para eleger seus governantes dos próximos quatro anos, e não é uma decisão fácil. É preciso pesquisar, falar, tentar entender a política, para melhor analisar as propostas dos candidatos.
Bem se sabe que as questões políticas possuem certa complexidade, mas não são só roubalheiras e falcatruas que a envolve, a ação da escolha do meu candidato vai refletir em inúmeras instancias da sociedade, desde o preço daquilo que eu consumo, ao imposto que me será cobrado e os danos sociais decorrentes da minha escolha. A política deve ser compreendida pelo eleitor justamente para que esse enxergue a realidade que o rodeia, para que saiba dirigir melhor suas escolhas, pois já dizia Bertolt Brecht: "o pior analfabeto é o analfabeto político" e este pensador foi feliz em sua reflexão, pois o cidadão pode não saber ler ou escrever seu próprio nome, mas este tem o direito e o dever de "votar", mesmo que nada entenda sobre política, mesmo que seja apenas uma massa de manobrar nas mãos daqueles que pretendem governar.


"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce à prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo." (Bertolt Brecht)

E em tempos de eleição fica a dica: 
  • Não lute apenas por uma dentadura, mas por postos odontológicos funcionando para toda a comunidade;
  • Não lute por apenas  uma vaga na escola, mas por uma política de educação digna;
  • Não lute para ter a frente de sua casa melhorada, mas para que haja saneamento básico em toda rua;
  • Não lute somente por uma consulta no SUS, mas por uma saúde pública de qualidade;
  • Não lute por apenas uma cesta básica, mas por uma política de assistência social justa e oposta a qualquer forma de clientelismo ou assistencialismo;
  • Não lute apenas por suas individualidades, mas pela garantia de direitos a todos.

Priscila Morais

terça-feira, 24 de julho de 2012

Vida Maria...




O vídeo a cima já é conhecido por muitos, é um triste e reflexivo relato da realidade que infelizmente ainda se apresenta em algumas regiões do nosso país. Ele retrata a triste história que se repete de geração em geração, as oportunidades que a própria vida não se deixa aproveitar. Parece inacreditável, mas em pleno século XXI, pessoas não sabem como evitar a gravidez indesejada e usam justificativas como: “tomei chá de cravo e água com sal e não teve jeito, mesmo assim engravidei!”e de gravidez em gravidez isso se torna cada vez mais natural, e as consequências da falta de informação, seja por ignorância ou por inocência reflete gravemente nas vidas que são geradas, repercutindo e tornando cada vez mais complexa a questão social, a falta de acesso a educação, saúde, alimentação, enfim a direitos humanos básicos.
Esse vídeo materializa o real, a  produção e reprodução da questão social que é fruto inerente de um sistema cruel e alienante, que é capaz de fazer com que as pessoas assistam a esse vídeo e mesmo ao se chocarem com a realidade descrita no mesmo, ainda tenham a capacidade de dizer: "Ah... Isso é normal!" "É assim mesmo!" "Fazer o quê?”.


Priscila Morais

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Brasil


           É de fato lamentável ver que uma organização como a OIT (Organização Internacional do Trabalho) considera pessoas “pobres” àquelas que possuem renda mensal de meio salário mínimo, como se um salário mínimo fosse muito e como se as pessoas que sobrevivem do mesmo já não fossem mais consideradas “pobres” e sim “classe média”. A seguinte matéria diz que: “é considerado pobre aquele cidadão que vive com metade de um salário” O cidadão que tem de alimentar sua família e a si mesmo, pagar suas contas e seus impostos, não tem condições de sobreviver com meio salário mínimo, essa condição ultrapassa o nível de pobreza de um individuo este já vive uma condição de miserabilidade, mas, claro! É preciso abolir essa nomenclatura “miséria” do vocabulário Brasileiro, pois o governo necessita prestar contas a ONU no documento que viabiliza os objetivos do milênio em (educação, sustentabilidade, saúde e etc.) segue um link mostrando por alto aquilo que é os Objetivos de Desenvolvimento do milênio http://www.voluntariosonline.org.br/noticia/654-O-que-sao-os-objetivos-para-o-milenio-?gclid=CM74-vH3pbECFQgHnQod2UWMdw.
           Mais uma vez o Brasil continua com suas medidas de governo focalistas e seletivas, investindo pouco no muito, não solucionando o problema, mas amenizando, no sentido de manter a ordem da sociedade e manter a mesma alienada em um jogo político de pertencimento de poder.
Priscila Morais


 Segue abaixo a matéria.


Fonte:Do UOL, em Brasília